Na semana passada, eu estava voltando para São Paulo, quando um diálogo me chamou a atenção no ônibus. Uma menininha com seus três anos conversava com sua avó. Mas para melhor entendimento vou-lhes contar o começo da viagem. Logo no início, ainda em Minas, essa mesma garotinha ficou encantada com as vaquinhas andando no pasto. Ela dizia “Eu vi a vaquinha vovó, você não viu!” Ela falava isso com um certo tom de deboche, reparei eu. Passando por Campinas, ela soltou uma frase sensacional, com a cabecinha apoiada no vidro do ônibus, ela observava uma movimentada avenida da cidade, e disse “Vovó, vovó! As vaquinhas viraram carros!” Fiquei realmente impressionado. Uma garotinha de apenas três anos já ter essa percepção de mudança. As crianças estão cada vez mais se adiantando em seu desenvolvimento. Estão adaptando as rápidas mudanças que nosso mundo vem sofrendo.
Defendo uma sociedade mais lenta, com valores humanos verdadeiros. Um movimento para uma vida mais lenta, visando diminuir o ritmo do crescimento econômico e exaltar uma vida mais contida, um crescimento inteligente deve ser empregado o quanto antes para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Sei que isso é uma utopia, mas se conseguirmos olhar para outra pessoa sem preconceitos, poderemos renovar nossas idéias. Um desenvolvimento mais lento ajuda a sociedade a criar uma rede de conexões entre pessoas, comunidade, família e outros seres vivos, além da própria terra, enquanto também faz ligações com o passado, presente e futuro através das gerações. Afinal de contas, as vacas viraram carros, e nós? Em que vamos nos transformar?
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