Story line
Uma conversa descontraída num boteco é protagonizada por dois amigos de meia idade, eles conversam sobre teorias mirabolantes e engraçadas.
Sinopse
Roberto, um quarentão encontra-se num botequim a espera de seu amigo. Tales, amigo de Roberto chega e eles começam uma conversar sobre o transito da cidade, Tales tem uma teoria interessante acerca desse tema. Roberto contesta sua teoria e começa a falar de sua tese interessantíssima sobre as caixas de mudança, ele diz que as caixas são as coisas mais importantes da vida quando uma pessoa está de mudança, diz ainda que a guerra do Iraque aconteceu por falta de caixas e tempo. Essa conversa sobre teorias acaba de forma divertida e descontraída. Afinal, num boteco encontra os mais variados assuntos e historias de vida. Esse é o ponto principal do enredo, colocar uma cultura brasileira em evidencia.
Argumento
Roberto está sentado na mesa de um boteco, a mesa fica no fundo, tem pouca claridade no local. Ele tem cerca de 40 anos, cabelos grisalhos, alto e calmo. Ele já estava sentado ali algum tempo, pois sua mesa possui um copo de água ardente, uma porção de mandioca pela metade e uma garrafa de cerveja vazia.
Laura, que é funcionária do botequim chega e pergunta para Roberto se ele precisa de mais alguma coisa. Ela é gentil e doce. Roberto fala que não está precisando de nada, diz que está esperando um amigo chegar, assim que ele aparecer voltará a chamar Laura para atende-los. Roberto repara no ambiente em sua volta, percebe um casal bem atípico que estava sentado logo ali ao seu lado. A diferença de idade e o “fogo” da mulher chamam sua atenção. Roberto sente um pouco de inveja. Tales, amigo de Roberto está a caminho do Boteco para encontrar Roberto. Ele vai de ônibus, pois seu carro está quebrado. Encontrando com Roberto ele diz que se atrasou devido ao transito da cidade, que estava muito carregado. Roberto diz para ele sentar-se e faz um pedido para Laura trazer um copo e outra cerveja. Tales, um pouco indignado começa a falar sobre uma teoria que ele leva consigo a respeito do transito. Sua teoria consiste em que, se ele sair de casa mais tarde ele chegará mais cedo no trabalho, agora, se ele sair mais cedo de casa, chegará mais tarde no trabalho. Roberto interrompe o amigo e diz que também possui uma teoria interessante, mas com caixas de mudança.
Roberto começa sua tese explicando para o amigo que as caixas de mudança são as coisas mais importantes, diz que quando estava de mudança, sua vida se resumiu apenas às caixas. Cogitou em comprar uma geladeira só por causa da caixa que viria com ela. Ficou arrumando sua mudança durante quatro semanas. Ele só pensava nas caixas. No final de sua teoria ele diz que a guerra do Iraque aconteceu por causa das caixas. De acordo com ele, Bush não deu o tempo suficiente para que Saddam saísse do país. Por não ter muito tempo, Saddam não teve como ajeitar sua mudança. Roberto acaba a conversa dizendo que se o Bush tivesse mandando algumas caixas para Saddam, muitas vidas teriam sido salvas.
Os dois amigos se despedem na porta do Botequim e cada um segue para um lado da rua.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
BOTECO (roteiro de Dener Silveira)
1-Int-boteco-noite
ROBERTO,cerca de 40 anos, cabelos grisalhos, alto e calmo encontra-se sentado em uma mesa no fundo de um boteco. Em sua mesa observa-se um copo com água ardente, uma porção de mandioca pela metade e uma garrafa de cerveja vazia.
Uma jovem atendente do Botequim chamada LAURA aparece...
LAURA
-Você vai querer mais alguma coisa senhor? (pergunta ela gentilmente)
ROBERTO
-Não,Minha querida jovem, estou esperando um amigo meu.Quando ele chegar chamarei você para pedir algo. Obrigado.
2-Int-boteco-noite
Roberto esperava a chegada do amigo, quando repara que ao lado de sua mesa havia um casal que despertou sua atenção.A mulher devia ter entre 20 e 25 anos, o homem entre 50 e 60 anos. Logo depois de uma ida breve ao banheiro, ela volta realmente fogosa e num ímpeto de paixão. Jogou-se no colo de seu velho companheiro. O “ancião” fica perdido entre tantos abraços e beijos, até porque ele irá ter que dar conta de tanto fogo sobre a terra(pensou Roberto).Roberto que sempre namorou mulheres da sua idade,não conseguiu imaginar no lugar do velho, mas que deu inveja deu...
3-ext-onibus-noite
TALES,cerca de 35 anos, baixo,gordo encontra-se dentro de um ônibus,ele é o amigo de Roberto, está a caminho do boteco.
4-ext- ponto de ônibus- noite
O ônibus chega até o ponto,Tales salta para fora e segue para o boteco.
5-Int-Boteco-noite
Tales chega até a mesa do amigo
TALES
- Olá Roberto, desculpa pelo atraso, o transito está horrível. Tive que vir de ônibus, meu carro estragou de novo.
ROBERTO
- Não tem problema“cara”, senta ai. Vou pedir um copo pra você. Laura!! Por favor, traga um copo para meu amigo, e traga também outra cerveja, bem gelada.
6-Int-boteco-noite
Laura aproxima-se da mesa e deixa o pedido feito por Roberto.
TALES
-Por falar em transito, tenho uma teoria interessante acerca desse tema. Todo dia de manhã fico na dúvida em que hora devo sair de casa.Porque quando saio mais cedo, o movimento é muito pesado, consequentemente ando mais lento e chego atrasado no escritório.Se eu sair mais tarde, com o transito mais tranqüilo, dirijo mais rápido e não chego atrasado, certo?
ROBERTO
-Correto (diz Roberto balançando a cabeça positivamente)
TALES
-Ou seja,quando eu saio mais tarde eu chego antes do que se eu tivesse saído mais cedo.Então, paradoxalmente, quando eu saio mais tarde de casa, é como se eu ultrapassasse o outro eu que tinha saído de casa mais cedo. Um dia desses, eu até me vi ultrapassando o meu outro eu. Buzinei e dei um xauzinho pra ele...pensei comigo...o otário se fudeu!
ROBERTO
-mas você e seu outro eu não faziam caminhos iguais? (pergunta Roberto indgnado)
TALES
-Não estrague minha teoria, Roberto. (diz Tales em tom de súplica)
7-ext-Fachada do buteco-noite
Uma imagem externa mostrando a fachada do botequim
8-int-boteco-noite
ROBERTO
-Também tenho uma teoria ( fala Roberto em tom de seriedade)
TALES
-E qual é essa teoria? (pergunta Tales em tom de curiosidade)
ROBERTO
-Sobre as caixas de mudança (continua o tom de voz sério)
TALES
-Então me fala, o que tem de mais nas caixas de mudança? (pergunta Tales sem entender muito bem)
ROBERTO
- Tudo meu amigo,tudo. Finalizei minha mudança essa semana, e quando você está de mudança, as coisas mais importantes são as caixas. Foi nelas que minha vida se resumiu nessas últimas semanas. Era só nisso que eu pensava. Quanto maior a caixa, mais objetos eu poderia levar. Quanto mais fortes, mais idas e vindas elas agüentariam. Cogitei ate comprar uma geladeira nova, só por causa da caixa, mas percebi que estava indo longe demais. Nesta mudança decidi que iria levar o que fosse primordial para o novo apartamento. E mesmo assim, precisei de 4 semanas. Porque mudar é realmente um negócio complicado, não sei como aquele povo nômade conseguia, ou consegue né...até porque dever ser foda conseguir caixas no deserto. Se eu tivesse que me mudar rapidamente, eu não conseguiria! Acho que foi por isso que houve a guerra do Iraque...
TALES
- Como assim? O que as caixas tem com a guerra? (interrompeu tales em tom cético)
ROBERTO
-Deixa eu terminar?? (Pergunta Roberto, bravo)
TALES
-Claro (respondeu Tales em tom ameno)
ROBERTO
-Porque Bush não deu o tempo suficiente para que o Saddam conseguisse as caixas que ele necessitava. Sendo assim, Saddam não teve tempo de ajeitar sua mudança e sair do Iraque. Eu, por exemplo,não tenho quase nada e precisei de quase um mês pra sair do meu antigo apartamento,imagine um cara que tem vários palácios, meia dúzia de mulheres e dezenas de filhos.
TALES
-Pode crer... (diz Tales concordando)
ROBERTO
-Muitas vidas poderiam ter sido salvas. Era só o Bush ter mandado umas caixas para o Saddam. (diz Roberto em tom de sabedoria).
8-ext-calçada-noite
A imagem mostra a calçada que fica em frente ao boteco, a porta do boteco se abre. Roberto e Tales saem. Apertam as mãos e cada um segue para um lado.
ROBERTO,cerca de 40 anos, cabelos grisalhos, alto e calmo encontra-se sentado em uma mesa no fundo de um boteco. Em sua mesa observa-se um copo com água ardente, uma porção de mandioca pela metade e uma garrafa de cerveja vazia.
Uma jovem atendente do Botequim chamada LAURA aparece...
LAURA
-Você vai querer mais alguma coisa senhor? (pergunta ela gentilmente)
ROBERTO
-Não,Minha querida jovem, estou esperando um amigo meu.Quando ele chegar chamarei você para pedir algo. Obrigado.
2-Int-boteco-noite
Roberto esperava a chegada do amigo, quando repara que ao lado de sua mesa havia um casal que despertou sua atenção.A mulher devia ter entre 20 e 25 anos, o homem entre 50 e 60 anos. Logo depois de uma ida breve ao banheiro, ela volta realmente fogosa e num ímpeto de paixão. Jogou-se no colo de seu velho companheiro. O “ancião” fica perdido entre tantos abraços e beijos, até porque ele irá ter que dar conta de tanto fogo sobre a terra(pensou Roberto).Roberto que sempre namorou mulheres da sua idade,não conseguiu imaginar no lugar do velho, mas que deu inveja deu...
3-ext-onibus-noite
TALES,cerca de 35 anos, baixo,gordo encontra-se dentro de um ônibus,ele é o amigo de Roberto, está a caminho do boteco.
4-ext- ponto de ônibus- noite
O ônibus chega até o ponto,Tales salta para fora e segue para o boteco.
5-Int-Boteco-noite
Tales chega até a mesa do amigo
TALES
- Olá Roberto, desculpa pelo atraso, o transito está horrível. Tive que vir de ônibus, meu carro estragou de novo.
ROBERTO
- Não tem problema“cara”, senta ai. Vou pedir um copo pra você. Laura!! Por favor, traga um copo para meu amigo, e traga também outra cerveja, bem gelada.
6-Int-boteco-noite
Laura aproxima-se da mesa e deixa o pedido feito por Roberto.
TALES
-Por falar em transito, tenho uma teoria interessante acerca desse tema. Todo dia de manhã fico na dúvida em que hora devo sair de casa.Porque quando saio mais cedo, o movimento é muito pesado, consequentemente ando mais lento e chego atrasado no escritório.Se eu sair mais tarde, com o transito mais tranqüilo, dirijo mais rápido e não chego atrasado, certo?
ROBERTO
-Correto (diz Roberto balançando a cabeça positivamente)
TALES
-Ou seja,quando eu saio mais tarde eu chego antes do que se eu tivesse saído mais cedo.Então, paradoxalmente, quando eu saio mais tarde de casa, é como se eu ultrapassasse o outro eu que tinha saído de casa mais cedo. Um dia desses, eu até me vi ultrapassando o meu outro eu. Buzinei e dei um xauzinho pra ele...pensei comigo...o otário se fudeu!
ROBERTO
-mas você e seu outro eu não faziam caminhos iguais? (pergunta Roberto indgnado)
TALES
-Não estrague minha teoria, Roberto. (diz Tales em tom de súplica)
7-ext-Fachada do buteco-noite
Uma imagem externa mostrando a fachada do botequim
8-int-boteco-noite
ROBERTO
-Também tenho uma teoria ( fala Roberto em tom de seriedade)
TALES
-E qual é essa teoria? (pergunta Tales em tom de curiosidade)
ROBERTO
-Sobre as caixas de mudança (continua o tom de voz sério)
TALES
-Então me fala, o que tem de mais nas caixas de mudança? (pergunta Tales sem entender muito bem)
ROBERTO
- Tudo meu amigo,tudo. Finalizei minha mudança essa semana, e quando você está de mudança, as coisas mais importantes são as caixas. Foi nelas que minha vida se resumiu nessas últimas semanas. Era só nisso que eu pensava. Quanto maior a caixa, mais objetos eu poderia levar. Quanto mais fortes, mais idas e vindas elas agüentariam. Cogitei ate comprar uma geladeira nova, só por causa da caixa, mas percebi que estava indo longe demais. Nesta mudança decidi que iria levar o que fosse primordial para o novo apartamento. E mesmo assim, precisei de 4 semanas. Porque mudar é realmente um negócio complicado, não sei como aquele povo nômade conseguia, ou consegue né...até porque dever ser foda conseguir caixas no deserto. Se eu tivesse que me mudar rapidamente, eu não conseguiria! Acho que foi por isso que houve a guerra do Iraque...
TALES
- Como assim? O que as caixas tem com a guerra? (interrompeu tales em tom cético)
ROBERTO
-Deixa eu terminar?? (Pergunta Roberto, bravo)
TALES
-Claro (respondeu Tales em tom ameno)
ROBERTO
-Porque Bush não deu o tempo suficiente para que o Saddam conseguisse as caixas que ele necessitava. Sendo assim, Saddam não teve tempo de ajeitar sua mudança e sair do Iraque. Eu, por exemplo,não tenho quase nada e precisei de quase um mês pra sair do meu antigo apartamento,imagine um cara que tem vários palácios, meia dúzia de mulheres e dezenas de filhos.
TALES
-Pode crer... (diz Tales concordando)
ROBERTO
-Muitas vidas poderiam ter sido salvas. Era só o Bush ter mandado umas caixas para o Saddam. (diz Roberto em tom de sabedoria).
8-ext-calçada-noite
A imagem mostra a calçada que fica em frente ao boteco, a porta do boteco se abre. Roberto e Tales saem. Apertam as mãos e cada um segue para um lado.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Na trilha das Vacas
Na semana passada, eu estava voltando para São Paulo, quando um diálogo me chamou a atenção no ônibus. Uma menininha com seus três anos conversava com sua avó. Mas para melhor entendimento vou-lhes contar o começo da viagem. Logo no início, ainda em Minas, essa mesma garotinha ficou encantada com as vaquinhas andando no pasto. Ela dizia “Eu vi a vaquinha vovó, você não viu!” Ela falava isso com um certo tom de deboche, reparei eu. Passando por Campinas, ela soltou uma frase sensacional, com a cabecinha apoiada no vidro do ônibus, ela observava uma movimentada avenida da cidade, e disse “Vovó, vovó! As vaquinhas viraram carros!” Fiquei realmente impressionado. Uma garotinha de apenas três anos já ter essa percepção de mudança. As crianças estão cada vez mais se adiantando em seu desenvolvimento. Estão adaptando as rápidas mudanças que nosso mundo vem sofrendo.
Defendo uma sociedade mais lenta, com valores humanos verdadeiros. Um movimento para uma vida mais lenta, visando diminuir o ritmo do crescimento econômico e exaltar uma vida mais contida, um crescimento inteligente deve ser empregado o quanto antes para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Sei que isso é uma utopia, mas se conseguirmos olhar para outra pessoa sem preconceitos, poderemos renovar nossas idéias. Um desenvolvimento mais lento ajuda a sociedade a criar uma rede de conexões entre pessoas, comunidade, família e outros seres vivos, além da própria terra, enquanto também faz ligações com o passado, presente e futuro através das gerações. Afinal de contas, as vacas viraram carros, e nós? Em que vamos nos transformar?
Defendo uma sociedade mais lenta, com valores humanos verdadeiros. Um movimento para uma vida mais lenta, visando diminuir o ritmo do crescimento econômico e exaltar uma vida mais contida, um crescimento inteligente deve ser empregado o quanto antes para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Sei que isso é uma utopia, mas se conseguirmos olhar para outra pessoa sem preconceitos, poderemos renovar nossas idéias. Um desenvolvimento mais lento ajuda a sociedade a criar uma rede de conexões entre pessoas, comunidade, família e outros seres vivos, além da própria terra, enquanto também faz ligações com o passado, presente e futuro através das gerações. Afinal de contas, as vacas viraram carros, e nós? Em que vamos nos transformar?
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Com vocë...
Após esses passos ao teu lado
Minhas mãos já se acostumaram com as suas
Meus olhos buscam os seus
De pétala em pétala deixas o teu cheiro
Que sua primavera seja esplendorosa
Aproveite os sons e sabores da sua vida
E nada irá se perder...
Nada...
Minhas mãos já se acostumaram com as suas
Meus olhos buscam os seus
De pétala em pétala deixas o teu cheiro
Que sua primavera seja esplendorosa
Aproveite os sons e sabores da sua vida
E nada irá se perder...
Nada...
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Religião: Sabemos compreender?
Religião deriva do termo latino “Re-ligare”, que significa “religação” com o divino. Esse conceito engloba todo e qualquer tipo de crença mítica. Abrangendo mitologia, seitas e quaisquer outras formas de pensamento que tenham como objetivo principal a busca da transcendência espiritual. Heresia é outro termo muito mal compreendido pelas pessoas. Esse termo significa, apenas, uma linha de pensamento que foge da teoria de uma religião dominante. Pegamos um exemplo, o cristianismo, foi uma heresia judaica assim como o protestantismo uma heresia católica. A heresia é uma forma de contestação.
Na minha opinião, a religião é uma grande neurose coletiva, criada pelo homem em seus devaneios. Buscamos uma doutrina para nos sentirmos seguros e acolhidos, queremos fazer parte de um grupo, seja ele qual for. Somos seres frágeis, precisamos nos sentir seguros, pois temos medos, queremos acreditar em outra vida após a morte. As religiões são então um fenômeno inerente a cultura humana, assim como as artes. A religião serve como propulsor em diversos movimentos humanos, as guerras, por exemplo, geralmente as mais terríveis, tiveram legitimação religiosa. Tal como a ciência, a religião é parte integrante das sociedades, é muito provável que isso continue durante muito tempo.
Na minha opinião, a religião é uma grande neurose coletiva, criada pelo homem em seus devaneios. Buscamos uma doutrina para nos sentirmos seguros e acolhidos, queremos fazer parte de um grupo, seja ele qual for. Somos seres frágeis, precisamos nos sentir seguros, pois temos medos, queremos acreditar em outra vida após a morte. As religiões são então um fenômeno inerente a cultura humana, assim como as artes. A religião serve como propulsor em diversos movimentos humanos, as guerras, por exemplo, geralmente as mais terríveis, tiveram legitimação religiosa. Tal como a ciência, a religião é parte integrante das sociedades, é muito provável que isso continue durante muito tempo.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
terça-feira, 15 de julho de 2008
A vida como um Fast Food: Peça pelo número!!!
Artigo enviado pelo Botequeiro Thiago Sales
A rotina com que levamos nossas vidas, muitas vezes acaba por mascarar uma ansiedade brutal em tudo o que fazemos ou vivemos, sejam fatos, repostas, valores, pessoas, notícias...
Tudo precisa ser instantâneo. No transito, ninguém pode nos atrapalhar. Se precisamos parar, esperar, deixar alguém passar, nosso nível de stress/ansiedade aumenta. E se alguém nos fecha, mesmo que involuntariamente, seja por qual for o motivo: idade, cansaço, ou até mesmo por não saber dirigir – nosso instinto animal aparece na hora e desejamos matar aquele que nos atrapalha. Meu mundo, meus compromissos, o dinheiro que estou deixando de ganhar, nada disso pode esperar sua falta de atenção!
“Desejo todo dia, e a cada dia mais, que todos sejam melhores e mais educados comigo. O mundo precisa me servir, minha ansiedade está aumentando... Quero novas notícias, novas canções, poemas, amores, realizações, dinheiro, tudo na velocidade de um clique.”
“Você já pediu seu lanche? Sim, enquanto você não chegava eu resolvi pedir para ganhar tempo. Olha o tamanho da fila agora!?, Eu pedi o nº 1, mas tá demorando demais!! Se eu tiver que esperar mais um minuto vou pedir meu dinheiro de volta!! Isso é um absurdo?! Vamos no outro, olha lá, ta saindo mais depressa!!”
Ultimamente, tudo em nossa vida precisa e deve ser instantâneo, senão não serve...
“Namoro? Não, quero ficar... Aquela menina tá me olhando, mas cheguei e ela não quis me beijar, vou tentar outra.”
Queremos que beijos e amores aconteçam de imediato. Quero pessoas perfeitas, belas, sinceras, mas só para que eu beije/use uma vez. “Depois? Não sei, qualquer dia nos vemos de novo... Mas e a perfeição, os detalhes que eu exigi para que ela servisse pra mim? Acabou!! Já beijei, a fila andou....”
Não há mais conquista. Os amores, se é que ainda existem, têm prazo de validade. A maioria vale para uma noite. O outro, seus problemas, anseios, opiniões, diferenças, detalhes? “Não quero ouvi-los nem conhecê-los, para mim nada significam...”
Cumplicidade, amizade, honestidade, seu jeito de ser, seus caprichos, seus defeitos, seus dias de carência ou de mau humor: “Nada disso me importa.” Não toleramos mais nada. Nosso dia-dia não permite.
“A mensagem que você deixou no meu Orkut ontem, já está velha. Apaguei. Espero que mande outra logo. Você não tem conteúdo!? Não fala nada de novo, não compra as roupas da moda. Seu carro já tem cinco anos? Tá velho hein, precisando trocar... Mas me fala uma coisa: todo mundo saiu no último sábado, não te vi lá? Ficou em casa? Tá ficando caído hein?!”
Aqueles que não entram na ansiedade coletiva muitas vezes são criticados ou vistos como caretas. Não dá pra ser e viver assim...
Falta dar um bom dia ao estranho que cruza com você pela manhã. Reparar na flor que nasceu em meio ao concreto da calçada. Ter mais paciência e menos pressa. Perguntar por que sou assim? Procurar meus reais motivos, meus objetivos, demorar pra fazer uma canção, apreciar um poema, escrever para um amigo, gostar das bandas de rock antigas, que já se foram, mas que me marcaram, exclamar em voz alta meus pensamentos, sem receio da censura dos modismos e do imediatismo dos dias atuais. Ser feliz no que faço, no que vivo, no que declaro, no que trabalho. Aceitar diferenças e dificuldades. Desistir de planos megalômanos de fortuna e poder. Ser feliz do seu jeito. Esperar um tempo maior pelo almoço, sabendo que foi feito com carinho, por homens e mulheres, que podem falhar ou atrasar, mas que o fazem felizes.
Percebi que não existem mais jardins nas casas. Antes da serenata procurei uma rosa pra roubar: só encontrei muros altos, casas fechadas e pessoas idem...
Ah.. será que alguém, além de mim, também reparou que as pombinhas não estão voando mais? Por toda a cidade, elas agora vivem pelo chão, andando e não voando, se acostumaram com as migalhas fáceis que deixamos cair, na nossa ânsia em consumir rápido e no nosso desperdício, despercebido e diário. Elas também adotaram o fast food. Será que vão pedir pelo número?
A rotina com que levamos nossas vidas, muitas vezes acaba por mascarar uma ansiedade brutal em tudo o que fazemos ou vivemos, sejam fatos, repostas, valores, pessoas, notícias...
Tudo precisa ser instantâneo. No transito, ninguém pode nos atrapalhar. Se precisamos parar, esperar, deixar alguém passar, nosso nível de stress/ansiedade aumenta. E se alguém nos fecha, mesmo que involuntariamente, seja por qual for o motivo: idade, cansaço, ou até mesmo por não saber dirigir – nosso instinto animal aparece na hora e desejamos matar aquele que nos atrapalha. Meu mundo, meus compromissos, o dinheiro que estou deixando de ganhar, nada disso pode esperar sua falta de atenção!
“Desejo todo dia, e a cada dia mais, que todos sejam melhores e mais educados comigo. O mundo precisa me servir, minha ansiedade está aumentando... Quero novas notícias, novas canções, poemas, amores, realizações, dinheiro, tudo na velocidade de um clique.”
“Você já pediu seu lanche? Sim, enquanto você não chegava eu resolvi pedir para ganhar tempo. Olha o tamanho da fila agora!?, Eu pedi o nº 1, mas tá demorando demais!! Se eu tiver que esperar mais um minuto vou pedir meu dinheiro de volta!! Isso é um absurdo?! Vamos no outro, olha lá, ta saindo mais depressa!!”
Ultimamente, tudo em nossa vida precisa e deve ser instantâneo, senão não serve...
“Namoro? Não, quero ficar... Aquela menina tá me olhando, mas cheguei e ela não quis me beijar, vou tentar outra.”
Queremos que beijos e amores aconteçam de imediato. Quero pessoas perfeitas, belas, sinceras, mas só para que eu beije/use uma vez. “Depois? Não sei, qualquer dia nos vemos de novo... Mas e a perfeição, os detalhes que eu exigi para que ela servisse pra mim? Acabou!! Já beijei, a fila andou....”
Não há mais conquista. Os amores, se é que ainda existem, têm prazo de validade. A maioria vale para uma noite. O outro, seus problemas, anseios, opiniões, diferenças, detalhes? “Não quero ouvi-los nem conhecê-los, para mim nada significam...”
Cumplicidade, amizade, honestidade, seu jeito de ser, seus caprichos, seus defeitos, seus dias de carência ou de mau humor: “Nada disso me importa.” Não toleramos mais nada. Nosso dia-dia não permite.
“A mensagem que você deixou no meu Orkut ontem, já está velha. Apaguei. Espero que mande outra logo. Você não tem conteúdo!? Não fala nada de novo, não compra as roupas da moda. Seu carro já tem cinco anos? Tá velho hein, precisando trocar... Mas me fala uma coisa: todo mundo saiu no último sábado, não te vi lá? Ficou em casa? Tá ficando caído hein?!”
Aqueles que não entram na ansiedade coletiva muitas vezes são criticados ou vistos como caretas. Não dá pra ser e viver assim...
Falta dar um bom dia ao estranho que cruza com você pela manhã. Reparar na flor que nasceu em meio ao concreto da calçada. Ter mais paciência e menos pressa. Perguntar por que sou assim? Procurar meus reais motivos, meus objetivos, demorar pra fazer uma canção, apreciar um poema, escrever para um amigo, gostar das bandas de rock antigas, que já se foram, mas que me marcaram, exclamar em voz alta meus pensamentos, sem receio da censura dos modismos e do imediatismo dos dias atuais. Ser feliz no que faço, no que vivo, no que declaro, no que trabalho. Aceitar diferenças e dificuldades. Desistir de planos megalômanos de fortuna e poder. Ser feliz do seu jeito. Esperar um tempo maior pelo almoço, sabendo que foi feito com carinho, por homens e mulheres, que podem falhar ou atrasar, mas que o fazem felizes.
Percebi que não existem mais jardins nas casas. Antes da serenata procurei uma rosa pra roubar: só encontrei muros altos, casas fechadas e pessoas idem...
Ah.. será que alguém, além de mim, também reparou que as pombinhas não estão voando mais? Por toda a cidade, elas agora vivem pelo chão, andando e não voando, se acostumaram com as migalhas fáceis que deixamos cair, na nossa ânsia em consumir rápido e no nosso desperdício, despercebido e diário. Elas também adotaram o fast food. Será que vão pedir pelo número?
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