sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Quem somos nós?

Um filme interessante sobre as limitacões e potencialidades humanas.


Link do FILME abaixo

http://br.youtube.com/watch?v=o7TZLnL7HLA

Comentário do filme/ Dener Silveira

Amanda vive uma experiência única, seu monótono mundo começa a “desfazer”. Esta situação revela o obscuro mundo escondido por trás daquilo que se costuma chamar de realidade. Amanda mergulha em um turbilhão de acontecimentos caóticos que provocam nela miscelâneas de sensações, tudo voltado para a realidade. Ela entra em crise e questiona o sentido da existência humana.

O que chamou atenção no documentário foi a preocupação com o auto conhecimento, temos que pensar, essa é a mensagem principal que o filme passa. Temos que ser extremamente críticos e saber a procedências de tudo que interagimos. O poder da mente atrelado aos objetos é ao mesmo tempo, forte e desconhecido. Quando no começo do documentário a metáfora do iceberg foi citada, podemos fazer um paralelo com o mito da caverna, de Platão. Tanto no mito da caverna quanto no iceberg conhecemos pouco o poder das idéias, no mito, as pessoas encontram-se no fundo da caverna, só enxergam às sombras, as aparências. No caso do iceberg é a mesma coisa, só vemos a pontinha, enxergamos somente o superficial das coisas. Em suma, temos uma limitação grande em nossas mentes, prestamos pouca atenção nos nossos relacionamentos com o mundo e também com nós mesmo. O documentário nos bombardeia com varias perguntas, vou ter minar esse comentário da mesma forma. Como podemos canalizar nossos pensamentos positivos em um mundo cada vez mais egoísta? Nossas atitudes e pensamentos acompanharam a velocidade das nossas cidades? Estamos propícios a pensar? Temos primeiro que olhar para nós mesmo, conhecer nossas potencialidades e limitações para poder agir com autenticidade em um mundo cada vez mais complexo. Creio que o ser humano está apenas começando aprender o funcionamento da sua mente. Somos seres frágeis e limitados.





terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fragilidade

O Vento ameaça levar as folhas
Pousadas sobre a mesa
Meu rosto é o único obstáculo
Tentam disfarçar a verdade...
A verdade de suas vidas ornamentais

Encontro-me sentado no jardim
Insetos vem e vão...
Grandes e pequenos, atrasados e desantenados
Desfilando suas vulnerabilidades

Debatiam-se em demasiada rapidez
Folheando as páginas de suas vidas
Reproduzindo suas mesquinharias
Vejo a força da ambição erguendo e destruindo coisas belas...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Idéias além do boteco/ Tom Waits

Começo esse artigo pedindo perdão aos puristas e tradicionalistas, mas qualquer frase ou himeto de "Heartattack and Vine" ou de "Foreign Affairs" valem mais do que qualquer linha de “ser e tempo”, “o desespero humano”, “o ser e o nada” e até os “conceitos de uma metafísica dos costumes”, de Kant. Acho que apenas Aristóteles seria páreo para Waits, mesmo assim, Waits, venceria na hora de verter uma boa garrafa de uísque.

Com uma voz rouca, instrumentação desafinada e letras sem nenhum nexo aparente, Tom Waits é um sujeito que nos faz pensar. Nos leva a refletir sobre que raios estamos fazendo aqui, neste mundo cheio de imbecilidades e desgraças. É uma questão bem pertinente a qualquer filósofo. Se para Aristóteles, a busca do conhecimento é primordial e, para São Tomas de Aquino, todo ser humano deve atrelar razão e fé, Para Waits, isso funciona um pouco diferente. Diz ele, que maioria dos homens ficam felizes com uma loira oxigenada fútil e uma garrafa de Jack Daniels, quando estão tristes e sozinhos.Às vezes o ser humano deixa a baixeza se propagar nas suas atitudes. Não devemos achar que Tom Waits seja um doido varrido. Suas idéias retratam um mundo bastante particular, um mundo em que perder é sempre uma constante.

“O Diabo não existe, foi Deus que inventou toda essa bagunça, quando estava curtindo uma birita” – (Tom Waits)

Você que está lendo deve estar achando que eu e Waits somos pecadores, deve estar pensando que não podemos pensar assim do todo poderoso. Se você acha isso, pode fechar a página e fazer a denúncia para o Vaticano. Entretanto, Waits pode ser tudo, menos um pecador. O que ele possui é um dom de perceber às nuances do nosso meio. Ele possui uma visão diferenciada de buscar a essência.
Um olhar que falta no clero e nas pessoas que se dizem religiosas é: O bom humor! O bom humor é essencial para a vida, em todos os tipos de relacionamentos. Essas palavras que escrevi acima, me deram inspiração para esboçar outro assunto pertinente em minha cabeça, a vida superficial que algumas pessoas levam, movidas por interesses materiais ou de relacionamentos. Vivemos em uma atmosfera onde é cada vez mais difícil achar pessoas verdadeiras, que conversam coisas interessantes, com conteúdo.


Devo frisar aqui também que odeio pessoas legais, elas concordam com tudo, tudo está bom, se você for pedir opinião para alguém legal, tome cuidado! Na dúvida de como se vestir para uma festa, não pergunte a opinião de uma pessoa legal, tanto o vestido branco como preto vão ficar perfeitos no seu corpo. Uma pessoa legal é perigosa. Se ela assistir a duas pecas de teatro, ambas serão maravilhosas. Ela irá dizer isso com um sorriso enigmático e olhos brilhando, mais parecendo um outdoor luminoso, isso me assusta! Tenho medo de pessoas legais.


“Não precisamos ser o que não somos, nem precisamos ser perfeitos no que queremos ser. Ser muito bom já é suficiente. Temos de ser bons naquilo para o qual temos talento” ( Roberto Shinyasshiki)

“Mais vale um minuto de vida franca e sincera do que cem anos de hipocrisia." (Angel Ganivet)
"Estamos tão familiarizados com a hipocrisia que a sinceridade de alguém nos parece um sarcasmo." (Helena)


“O que nós somos?Somos apenas loucos vivendo em um mundo insano, na qual a hipocrisia governa cada vez mais enquanto valores éticos continuam esquecidos” (Raphael Furlan)

Com as eleições chegando, temos vários exemplos de ignorância e superficialidade, para não escrever palavras mais ofensivas, não é meu objetivo aqui. O que mais me chama a atenção é a forma como os candidatos se apresentam para a população na propaganda eleitoral televisiva. Por exemplo, quando vejo um “nobre” senhor, com seu jaleco, estetoscópio e óculos, tentando criar um estereótipo de que só por causa de sua profissão, ele é uma pessoa idônea, correta e segura. Isso me parece um pouco arrogante. Se esconder atrás de uma profissão mostrando ser uma pessoa boa, talvez ela seja, quem sou eu para julgar, só acho a atitude mesquinha, usar sua profissão para criar uma personagem “precária”.
A população precisa de candidatos que tenham o máximo de conhecimento humano e psicológico possível. Vamos deixar os médicos nos hospitais, LÁ eles fazem o trabalho deles. Se algum candidato médico, advogado, publicitário etc, ler esse artigo, ai vai um conselho: Deixe suas profissões em seus ambientes de trabalho, mostre para seu eleitorado uma pessoa com sentimento humanista, inteligente, ético e com real preocupação. E isso não é aprendido em nenhuma instituição de ensino, você não consegue ver esses atributos em qualquer pessoa, essas qualidades estão quase extintas. Por isso, você que é eleitor, e está lendo esse texto, preste atenção nos atos políticos e também nas atitudes de pessoas próximas a você.

O mundo está uma merda, mas todas às pessoas que encontro e converso, só acertam na vida. Não é estranho isso? Será que só eu e você que temos inquietações e erramos em algumas escolhas? Será que só eu e você temos a impressão de correr o tempo todo e ainda estar em falta com alguma coisa?
Fico realmente impressionado com o número de pessoas que se enche de dívidas para desfilar para os amigos com o carro novo, ou invejar suas amigas com àquela bolsa de marca famosa. Os humanos deixam de viver as ordens das idéias para viver em um mundo de aparências. Você deve estar pensando que sou um socialista barato, né? Pelo contrário, eu acredito no consumo consciente. O socialismo é uma utopia, e nunca deu certo em parte alguma do globo. Mas isso já é uma outra história. Os problemas do capitalismo são os conceitos supérfluos que a maioria dos indivíduos adquire para serem admirados. Pessoas com essa mentalidade superficial não produzem nada, não conhecem a essência e o esplendor de uma relação, seja ela amorosa ou de amizade.

A perda ou desconhecimento da autenticidade é a pior “amputação” no ser humano. Já dizia Platão, em seu clássico mito da caverna, no livro “A Republica”. Em uma de suas teorias mais famosas, ele diz que a maioria das pessoas se encontra no fundo de uma caverna, ele usou essa metáfora para exemplificar que os indivíduos só enxergam “sombras” (aparência), não conhecem a verdadeira essência do meio em que vivem. Devemos sair da “caverna” e ir para o mundo das idéias. Devemos saber dar valor para os verdadeiros amigos e ignorar algumas pessoas que não somam nada em nossas vidas. Onde você quer chegar? Isso depende das suas escolhas, dos seus pensamentos.



Não seja um ser desprovido de idéias... Elas trazem benefícios inimagináveis!

Dener Silveira

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

BOTECO (roteiro de Dener Silveira)

Story line


Uma conversa descontraída num boteco é protagonizada por dois amigos de meia idade, eles conversam sobre teorias mirabolantes e engraçadas.


Sinopse


Roberto, um quarentão encontra-se num botequim a espera de seu amigo. Tales, amigo de Roberto chega e eles começam uma conversar sobre o transito da cidade, Tales tem uma teoria interessante acerca desse tema. Roberto contesta sua teoria e começa a falar de sua tese interessantíssima sobre as caixas de mudança, ele diz que as caixas são as coisas mais importantes da vida quando uma pessoa está de mudança, diz ainda que a guerra do Iraque aconteceu por falta de caixas e tempo. Essa conversa sobre teorias acaba de forma divertida e descontraída. Afinal, num boteco encontra os mais variados assuntos e historias de vida. Esse é o ponto principal do enredo, colocar uma cultura brasileira em evidencia.


Argumento


Roberto está sentado na mesa de um boteco, a mesa fica no fundo, tem pouca claridade no local. Ele tem cerca de 40 anos, cabelos grisalhos, alto e calmo. Ele já estava sentado ali algum tempo, pois sua mesa possui um copo de água ardente, uma porção de mandioca pela metade e uma garrafa de cerveja vazia.
Laura, que é funcionária do botequim chega e pergunta para Roberto se ele precisa de mais alguma coisa. Ela é gentil e doce. Roberto fala que não está precisando de nada, diz que está esperando um amigo chegar, assim que ele aparecer voltará a chamar Laura para atende-los. Roberto repara no ambiente em sua volta, percebe um casal bem atípico que estava sentado logo ali ao seu lado. A diferença de idade e o “fogo” da mulher chamam sua atenção. Roberto sente um pouco de inveja. Tales, amigo de Roberto está a caminho do Boteco para encontrar Roberto. Ele vai de ônibus, pois seu carro está quebrado. Encontrando com Roberto ele diz que se atrasou devido ao transito da cidade, que estava muito carregado. Roberto diz para ele sentar-se e faz um pedido para Laura trazer um copo e outra cerveja. Tales, um pouco indignado começa a falar sobre uma teoria que ele leva consigo a respeito do transito. Sua teoria consiste em que, se ele sair de casa mais tarde ele chegará mais cedo no trabalho, agora, se ele sair mais cedo de casa, chegará mais tarde no trabalho. Roberto interrompe o amigo e diz que também possui uma teoria interessante, mas com caixas de mudança.
Roberto começa sua tese explicando para o amigo que as caixas de mudança são as coisas mais importantes, diz que quando estava de mudança, sua vida se resumiu apenas às caixas. Cogitou em comprar uma geladeira só por causa da caixa que viria com ela. Ficou arrumando sua mudança durante quatro semanas. Ele só pensava nas caixas. No final de sua teoria ele diz que a guerra do Iraque aconteceu por causa das caixas. De acordo com ele, Bush não deu o tempo suficiente para que Saddam saísse do país. Por não ter muito tempo, Saddam não teve como ajeitar sua mudança. Roberto acaba a conversa dizendo que se o Bush tivesse mandando algumas caixas para Saddam, muitas vidas teriam sido salvas.
Os dois amigos se despedem na porta do Botequim e cada um segue para um lado da rua.

BOTECO (roteiro de Dener Silveira)

1-Int-boteco-noite



ROBERTO,cerca de 40 anos, cabelos grisalhos, alto e calmo encontra-se sentado em uma mesa no fundo de um boteco. Em sua mesa observa-se um copo com água ardente, uma porção de mandioca pela metade e uma garrafa de cerveja vazia.


Uma jovem atendente do Botequim chamada LAURA aparece...


LAURA

-Você vai querer mais alguma coisa senhor? (pergunta ela gentilmente)


ROBERTO

-Não,Minha querida jovem, estou esperando um amigo meu.Quando ele chegar chamarei você para pedir algo. Obrigado.

2-Int-boteco-noite



Roberto esperava a chegada do amigo, quando repara que ao lado de sua mesa havia um casal que despertou sua atenção.A mulher devia ter entre 20 e 25 anos, o homem entre 50 e 60 anos. Logo depois de uma ida breve ao banheiro, ela volta realmente fogosa e num ímpeto de paixão. Jogou-se no colo de seu velho companheiro. O “ancião” fica perdido entre tantos abraços e beijos, até porque ele irá ter que dar conta de tanto fogo sobre a terra(pensou Roberto).Roberto que sempre namorou mulheres da sua idade,não conseguiu imaginar no lugar do velho, mas que deu inveja deu...


3-ext-onibus-noite



TALES,cerca de 35 anos, baixo,gordo encontra-se dentro de um ônibus,ele é o amigo de Roberto, está a caminho do boteco.

4-ext- ponto de ônibus- noite

O ônibus chega até o ponto,Tales salta para fora e segue para o boteco.


5-Int-Boteco-noite



Tales chega até a mesa do amigo



TALES

- Olá Roberto, desculpa pelo atraso, o transito está horrível. Tive que vir de ônibus, meu carro estragou de novo.


ROBERTO

- Não tem problema“cara”, senta ai. Vou pedir um copo pra você. Laura!! Por favor, traga um copo para meu amigo, e traga também outra cerveja, bem gelada.

6-Int-boteco-noite



Laura aproxima-se da mesa e deixa o pedido feito por Roberto.





TALES

-Por falar em transito, tenho uma teoria interessante acerca desse tema. Todo dia de manhã fico na dúvida em que hora devo sair de casa.Porque quando saio mais cedo, o movimento é muito pesado, consequentemente ando mais lento e chego atrasado no escritório.Se eu sair mais tarde, com o transito mais tranqüilo, dirijo mais rápido e não chego atrasado, certo?


ROBERTO

-Correto (diz Roberto balançando a cabeça positivamente)


TALES

-Ou seja,quando eu saio mais tarde eu chego antes do que se eu tivesse saído mais cedo.Então, paradoxalmente, quando eu saio mais tarde de casa, é como se eu ultrapassasse o outro eu que tinha saído de casa mais cedo. Um dia desses, eu até me vi ultrapassando o meu outro eu. Buzinei e dei um xauzinho pra ele...pensei comigo...o otário se fudeu!


ROBERTO

-mas você e seu outro eu não faziam caminhos iguais? (pergunta Roberto indgnado)


TALES

-Não estrague minha teoria, Roberto. (diz Tales em tom de súplica)

7-ext-Fachada do buteco-noite



Uma imagem externa mostrando a fachada do botequim


8-int-boteco-noite



ROBERTO

-Também tenho uma teoria ( fala Roberto em tom de seriedade)


TALES

-E qual é essa teoria? (pergunta Tales em tom de curiosidade)


ROBERTO

-Sobre as caixas de mudança (continua o tom de voz sério)


TALES

-Então me fala, o que tem de mais nas caixas de mudança? (pergunta Tales sem entender muito bem)


ROBERTO

- Tudo meu amigo,tudo. Finalizei minha mudança essa semana, e quando você está de mudança, as coisas mais importantes são as caixas. Foi nelas que minha vida se resumiu nessas últimas semanas. Era só nisso que eu pensava. Quanto maior a caixa, mais objetos eu poderia levar. Quanto mais fortes, mais idas e vindas elas agüentariam. Cogitei ate comprar uma geladeira nova, só por causa da caixa, mas percebi que estava indo longe demais. Nesta mudança decidi que iria levar o que fosse primordial para o novo apartamento. E mesmo assim, precisei de 4 semanas. Porque mudar é realmente um negócio complicado, não sei como aquele povo nômade conseguia, ou consegue né...até porque dever ser foda conseguir caixas no deserto. Se eu tivesse que me mudar rapidamente, eu não conseguiria! Acho que foi por isso que houve a guerra do Iraque...



TALES

- Como assim? O que as caixas tem com a guerra? (interrompeu tales em tom cético)


ROBERTO

-Deixa eu terminar?? (Pergunta Roberto, bravo)


TALES

-Claro (respondeu Tales em tom ameno)


ROBERTO

-Porque Bush não deu o tempo suficiente para que o Saddam conseguisse as caixas que ele necessitava. Sendo assim, Saddam não teve tempo de ajeitar sua mudança e sair do Iraque. Eu, por exemplo,não tenho quase nada e precisei de quase um mês pra sair do meu antigo apartamento,imagine um cara que tem vários palácios, meia dúzia de mulheres e dezenas de filhos.


TALES

-Pode crer... (diz Tales concordando)


ROBERTO

-Muitas vidas poderiam ter sido salvas. Era só o Bush ter mandado umas caixas para o Saddam. (diz Roberto em tom de sabedoria).






8-ext-calçada-noite



A imagem mostra a calçada que fica em frente ao boteco, a porta do boteco se abre. Roberto e Tales saem. Apertam as mãos e cada um segue para um lado.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Na trilha das Vacas

Na semana passada, eu estava voltando para São Paulo, quando um diálogo me chamou a atenção no ônibus. Uma menininha com seus três anos conversava com sua avó. Mas para melhor entendimento vou-lhes contar o começo da viagem. Logo no início, ainda em Minas, essa mesma garotinha ficou encantada com as vaquinhas andando no pasto. Ela dizia “Eu vi a vaquinha vovó, você não viu!” Ela falava isso com um certo tom de deboche, reparei eu. Passando por Campinas, ela soltou uma frase sensacional, com a cabecinha apoiada no vidro do ônibus, ela observava uma movimentada avenida da cidade, e disse “Vovó, vovó! As vaquinhas viraram carros!” Fiquei realmente impressionado. Uma garotinha de apenas três anos já ter essa percepção de mudança. As crianças estão cada vez mais se adiantando em seu desenvolvimento. Estão adaptando as rápidas mudanças que nosso mundo vem sofrendo.
Defendo uma sociedade mais lenta, com valores humanos verdadeiros. Um movimento para uma vida mais lenta, visando diminuir o ritmo do crescimento econômico e exaltar uma vida mais contida, um crescimento inteligente deve ser empregado o quanto antes para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Sei que isso é uma utopia, mas se conseguirmos olhar para outra pessoa sem preconceitos, poderemos renovar nossas idéias. Um desenvolvimento mais lento ajuda a sociedade a criar uma rede de conexões entre pessoas, comunidade, família e outros seres vivos, além da própria terra, enquanto também faz ligações com o passado, presente e futuro através das gerações. Afinal de contas, as vacas viraram carros, e nós? Em que vamos nos transformar?